Como fazer um orçamento mensal que você consegue seguir

Para fazer um orçamento mensal, parta do que você gastou de verdade nos últimos dois ou três meses, agrupe em poucas categorias e distribua a renda líquida do mês começando pelo que já tem destino. Antes de fechar a conta, cuide de três pontos que costumam derrubar o plano: o cartão de crédito, as parcelas que já ocupam os próximos meses e as despesas que só aparecem uma vez por ano.

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Comece pelo que você já gasta

Um orçamento montado a partir do valor que você gostaria de gastar costuma durar pouco, porque descreve outra pessoa. O ponto de partida é o gasto real: pegue o extrato da conta e a fatura do cartão dos últimos dois ou três meses e some o que foi para cada categoria. Mais de um mês ajuda a diluir o mês atípico (uma viagem, um conserto) sem esconder o padrão.

Um cuidado nessa soma: no extrato da conta, o pagamento da fatura aparece como uma saída grande. Ele não é um gasto novo, é o acerto das compras que estão dentro da fatura. Para saber quanto foi para mercado ou restaurante, olhe as compras da fatura e deixe a linha do pagamento de fora. Somando as duas, o mesmo gasto aparece duas vezes.

Percentuais prontos podem servir de comparação depois. A 50-30-20 é uma referência conhecida (metade da renda para o necessário, 30% para o que é escolha, 20% para guardar ou pagar dívida), mas ela não substitui o seu ponto de partida, que é o que você já gasta.

Poucas categorias, sempre as mesmas

Entre oito e doze categorias costumam bastar. Categoria demais vira trabalho de classificação que ninguém mantém; categoria de menos, com um "outros" levando metade do dinheiro, não mostra nada. Use as mesmas todo mês: é a repetição que permite comparar um mês com o outro.

Uma lista que funciona para muita gente: moradia, mercado, transporte, contas da casa, saúde, lazer e restaurantes, educação e assinaturas. Juros e tarifas (da conta, do cartão, de um atraso) são despesa, mas não são consumo: merecem uma linha própria, separada das categorias, mesmo quando são pequenos. Ver o valor todo mês mostra quando ele começou a crescer.

A renda do mês é o que de fato entra

Planeje com a renda líquida: o valor que cai na conta, já sem impostos, contribuições e descontos em folha. O salário bruto do contracheque não paga conta.

Se a sua renda varia (comissão, trabalho por projeto, serviço por conta própria), planeje com o valor mais baixo provável, olhando os últimos meses. O que vier acima disso você decide quando entrar, não antes. Dinheiro esperado, como um pagamento prometido, um reembolso ou um bônus, só entra no plano quando o recebimento for certo. Até lá, ele não paga nada.

Primeiro o que já tem destino

Com a renda definida, comece pelas linhas que não dependem de escolha neste mês: aluguel ou financiamento, condomínio, contas da casa, escola, plano de saúde e as parcelas de compras antigas que caem agora. Esse dinheiro já tem dono antes de o mês começar.

Só depois distribua o variável: mercado, transporte, lazer. É aqui que o gasto real dos últimos meses mostra se o plano cabe. Se não cabe, o ajuste sai do variável, com números que você reconhece, e não de um corte que você não vai sustentar.

Sobre as parcelas: cada compra parcelada ocupa uma parte de cada mês em que a parcela cai. Uma compra em dez vezes feita hoje já reduz o orçamento dos próximos dez meses. Antes de parcelar algo novo, vale olhar quanto dos meses seguintes já está tomado.

As despesas que aparecem uma vez por ano

IPVA, IPTU, matrícula, material escolar, seguro do carro. Elas não estão no gasto de nenhum mês comum e, por isso, ficam fora do orçamento até o mês em que chegam e desmontam tudo.

A saída é somar o que vence no ano, dividir por doze e separar esse pedaço todo mês.

Exemplo. IPVA de R$ 1.500,00, IPTU de R$ 900,00, matrícula escolar de R$ 600,00 e seguro do carro de R$ 600,00 somam R$ 3.600,00 no ano. Divididos por doze, dão R$ 300,00 por mês.

Guarde esse dinheiro separado do dia a dia, numa reserva só para isso. Separar não é gastar: o dinheiro continua seu, só ganhou destino. O gasto acontece quando o IPVA é pago, e aí ele sai da reserva, sem apertar o mês em que vence. Se o vencimento está perto e não dá tempo de juntar doze partes, divida pelo número de meses que faltam.

O cartão de crédito no orçamento

O gasto no cartão é a compra, não o pagamento da fatura. A compra de mercado no cartão entra em mercado no mês em que você compra. Uma compra parcelada entra, em cada mês, com a parcela que cai naquele mês.

O pagamento da fatura não entra como linha de gasto: ele quita o que você já contou nas categorias. Se o orçamento tiver uma linha "fatura do cartão" e, ao mesmo tempo, as compras nas categorias, a mesma compra conta duas vezes e o plano parece estourado sem estar.

Isso não quer dizer que a fatura não importa. Ela é o dinheiro que precisa estar na conta no vencimento, e é por isso que o gasto no cartão precisa caber no orçamento do mês da compra. Se você paga só uma parte da fatura, o restante não vira gasto novo (são as mesmas compras, ainda em aberto), mas os juros e encargos cobrados sobre ele são despesa e entram no orçamento como gasto. O passo a passo para lançar a fatura sem duplicar nada está no guia como registrar a fatura do cartão.

Um exemplo completo

Exemplo. Renda líquida do mês de R$ 6.000,00, distribuída assim:

Linha do orçamentoValor
MoradiaR$ 1.800,00
MercadoR$ 1.100,00
TransporteR$ 500,00
Contas da casa (luz, água, internet)R$ 450,00
SaúdeR$ 350,00
Lazer e restaurantesR$ 500,00
Parcelas que já caem neste mêsR$ 400,00
Reserva para despesas do anoR$ 300,00
Objetivo (reserva para imprevistos)R$ 400,00
Margem para o imprevisto do mêsR$ 200,00
TotalR$ 6.000,00

Três linhas pedem explicação:

  • Parcelas que já caem neste mês são compras de meses anteriores. Aqui elas ficam numa linha própria para mostrar quanto do mês já chegou comprometido. Se preferir, cada parcela pode ir para a categoria da compra; só não conte a mesma parcela nos dois lugares.
  • As duas reservas (despesas do ano e objetivo) não são consumo. O dinheiro muda de lugar e continua seu; o orçamento só impede que ele seja gasto no dia a dia.
  • A margem de R$ 200,00 fica sem destino de propósito. Um orçamento sem folga quebra no primeiro imprevisto: o remédio que não estava na conta, o presente de última hora. Com a margem, esse gasto cabe sem desmontar o resto. Se ela sobrar no fim do mês, você decide para onde vai.

Acompanhe durante o mês

Conferir o orçamento só no fim do mês transforma o plano em relatório: você descobre o que aconteceu quando já não dá para mudar. Olhe uma vez por semana, ou sempre que fizer uma compra maior. Saber que uma categoria está perto do limite vale mais que constatar que ela estourou, porque ainda deixa escolha.

Quando uma categoria estourar

Vai acontecer. Quando acontecer, remaneje: tire de outra categoria do mesmo mês, ou da margem, e siga. O orçamento continua valendo com o número novo. O que derruba o plano não é a categoria que passou, é abandonar o orçamento inteiro por causa dela.

Se a mesma categoria estoura todo mês, o problema provavelmente é o valor, não você. Ajuste o limite para perto do gasto real e tire a diferença de outro lugar.

Revise no começo de cada mês

Nos primeiros dias do mês, olhe o que passou e ajuste o que vem: o que mudou de preço, que parcela acabou, que parcela nova começou, que despesa do ano está chegando, se a renda mudou. É uma revisão curta, e é ela que mantém o orçamento parecido com a sua vida.

Como o MyGepeto ajuda

  • Orçamento por categoria, para cada mês, com as categorias que fizerem sentido para você, inclusive as que você mesmo criar.
  • Aviso antes de estourar: quando o gasto de uma categoria passa de 80% do limite, a plataforma avisa no sino ou por notificação push.
  • Cartão sem conta dupla: o pagamento da fatura quita o cartão e não conta as compras de novo, e cada parcela cai na fatura do mês dela. Veja como a fatura do cartão funciona no MyGepeto.
  • Saldo livre no Início: o saldo disponível menos o que já tem destino no mês (a fatura do mês, as contas previstas para o mês e o dinheiro separado em reservas). Entenda o que é saldo livre.
  • Metas para as reservas: cada meta tem valor, prazo, aporte e retirada, e a meta virtual separa o dinheiro só no planejamento, sem mudar o saldo do banco. Serve para a reserva das despesas do ano e para o objetivo.
  • Gasto real por arquivo: extrato e fatura entram em OFX, CSV ou Excel, e a fatura também em PDF com texto selecionável. Nada se conecta ao banco: você baixa o arquivo e importa. Veja como importar extrato no MyGepeto.

Veja isso funcionando numa conta de exemplo.

A demonstração abre uma conta pronta, só para leitura. Você escolhe o perfil mais parecido com o seu.