Como registrar a fatura do cartão sem contar o gasto duas vezes
Lance cada compra do cartão como gasto, na categoria dela, e registre o pagamento da fatura só como a quitação do que você deve ao cartão. Se as compras e o pagamento entrarem os dois como gasto, a mesma compra conta duas vezes e o mês parece custar o dobro.
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Por que o gasto aparece em dobro
O gasto acontece na compra: é ali que o dinheiro vai para o mercado, a farmácia ou a assinatura. A fatura não traz consumo novo. Ela reúne as compras que você já fez e mostra quanto você deve ao cartão. Pagar a fatura tira dinheiro da conta e zera essa dívida, e nada é consumido nesse momento.
O problema aparece quando o controle trata o pagamento como mais uma despesa. Aí cada compra entra duas vezes: uma na linha dela, outra dentro do pagamento.
Exemplo. Num mês, estas foram as compras no cartão:
| Compra | Categoria | Valor |
|---|---|---|
| Mercado | Alimentação | R$ 600,00 |
| Farmácia | Saúde | R$ 150,00 |
| Streaming | Assinaturas | R$ 50,00 |
| Geladeira, parcela 2 de 5 | Casa | R$ 400,00 |
As quatro linhas somam R$ 1.200,00, que é o total da fatura. Veja o mesmo mês registrado dos dois jeitos:
| Lançamento | Jeito errado | Jeito certo |
|---|---|---|
| Compras | R$ 1.200,00 como gasto | R$ 1.200,00 como gasto |
| Pagamento da fatura | R$ 1.200,00 como gasto | R$ 1.200,00 como quitação |
| Gasto do mês | R$ 2.400,00 | R$ 1.200,00 |
Do jeito certo, o mês do exemplo custou R$ 1.200,00, distribuídos entre Alimentação, Saúde, Assinaturas e Casa. O pagamento de R$ 1.200,00 aparece como uma saída da conta que zera o que você deve no cartão, como uma transferência entre o seu dinheiro e a sua dívida.
Os dois jeitos que fecham a conta
Existem duas formas corretas de registrar o cartão. As duas evitam o gasto em dobro, mas só uma mostra para onde o dinheiro foi.
Jeito 1: compras como gasto, pagamento como quitação
Cada compra entra como gasto, na data e na categoria dela. O pagamento da fatura entra como saída da conta marcada como "pagamento de fatura" ou como transferência para o cartão, fora de qualquer categoria de gasto.
É o jeito recomendado. Você sabe onde gastou e em que mês, e consegue comparar cada categoria com o que planejou ao montar o orçamento mensal.
Jeito 2: só o pagamento, como um gasto único
Você não lança as compras e registra a fatura inteira como um gasto só, no dia em que paga. A conta fecha, desde que nenhuma compra do cartão seja lançada em outro lugar. O que se perde é a informação: o mercado, a farmácia e a geladeira viram uma linha sem categoria, o gasto aparece no mês do pagamento em vez do mês das compras, e os juros se misturam ao consumo.
Escolha um jeito e mantenha. Misturar os dois é o que cria o dobro: se algumas compras entram como gasto e o pagamento também, essas compras contam duas vezes.
Fechamento e vencimento, no que importa para o registro
O fechamento é o dia em que a fatura se encerra. Compra feita até o fechamento entra na fatura do mês; feita depois dele, entra na seguinte. O vencimento é o dia em que você paga.
Para o controle, o mês da fatura é o mês das compras dela, e não o mês em que o dinheiro sai da conta.
Exemplo. Um cartão que fecha no dia 22 e vence no dia 2 reúne as compras de 23 de agosto a 22 de setembro numa fatura que vence em 2 de outubro. Para o seu controle, essa é a fatura de setembro, porque foi em setembro que você fez a maior parte dessas compras, mesmo que o banco a identifique pelo vencimento. O pagamento sai da conta em outubro, mas não deixa outubro mais caro: cada gasto já contou na data da compra.
Compra parcelada
Na compra parcelada, cada parcela entra na fatura do mês dela, e é essa parcela que conta como gasto naquele mês. O restante não some: vira compromisso dos próximos meses. Você já sabe que vai pagar, mas ele não pesa todo hoje.
Exemplo. Na fatura acima, a geladeira está na parcela 2 de 5, de R$ 400,00 cada. Este mês, entram R$ 400,00 como gasto. Depois dela faltam três parcelas, R$ 1.200,00 ao todo, uma em cada uma das três próximas faturas. Anote esse valor à parte, como compromisso futuro, e não como gasto deste mês.
Juros, multa, IOF e tarifas
Esses valores também são gasto, mas de outra natureza: são o custo do crédito, não consumo. Entram aqui os juros, a multa por atraso, o IOF cobrado quando a dívida é financiada e tarifas como a anuidade.
Registre tudo isso à parte, numa linha como "Custo do cartão", fora de Alimentação, Saúde ou Casa. Assim cada categoria de consumo mostra só o que você consumiu nela, e a linha de custo do cartão mostra quanto o crédito custou no mês.
Estorno
Estorno é o valor de uma compra que volta para o cartão, inteiro ou em parte. Ele não é receita: você não ganhou dinheiro, só deixou de gastar. Registre o crédito ligado à compra original, na mesma categoria, abatendo o gasto dela.
Exemplo. Você compra R$ 180,00 em roupas e devolve uma peça de R$ 60,00. O estorno de R$ 60,00 aparece como crédito na fatura, e o gasto dessa compra passa a ser R$ 120,00. Se o estorno entrasse como receita, a categoria Vestuário continuaria em R$ 180,00 e a sua renda pareceria R$ 60,00 maior.
Pagar só parte da fatura ou parcelar com o banco
Pagamento parcial
O que você paga quita parte da dívida. O restante continua sendo dívida com o cartão e passa a ter juros.
Exemplo. A fatura é de R$ 1.200,00 e você paga R$ 700,00. Os R$ 700,00 entram como quitação, e os R$ 500,00 que faltam continuam devidos. Na fatura seguinte, esse saldo volta junto com os juros. O saldo não é gasto novo, porque as compras já contaram; os juros, sim, entram como custo do crédito.
Parcelamento da fatura
Parcelar a fatura com o banco é um acordo: o saldo em aberto vira parcelas que entram nas faturas seguintes. A parcela do acordo também não é compra nova. A parte dela que repõe o saldo antigo quita dívida, e a parte que é juros e encargos do acordo é despesa, na mesma linha de custo do crédito. Se o banco mostrar só o total do acordo, a diferença entre esse total e o saldo parcelado é o que o crédito custou.
Checklist para conferir a fatura do mês
- Cada compra está lançada uma vez, na categoria dela, e a soma das linhas da fatura bate com o total cobrado.
- Das compras parceladas, só a parcela do mês entrou como gasto, e o restante está anotado como compromisso.
- Juros, multa, IOF e tarifas estão na linha de custo do crédito, fora do consumo.
- Cada estorno está ligado à compra original e abate o gasto dela.
- Saldo de fatura anterior e parcela de acordo não entraram como compra nova.
- O pagamento entrou como quitação do cartão, não como gasto.
Como o MyGepeto faz esse registro
Cada parte deste guia tem um lugar no MyGepeto:
- Fechamento e vencimento: você adiciona o cartão com os dois dias, e cada compra vai para a fatura certa.
- Parcelas: cada uma cai na fatura do mês dela.
- Juros e tarifas: aparecem separados do consumo.
- Pagamento: total, parcial ou o parcelamento acordado com o banco, de 1 a 24 parcelas, cada uma numa das faturas seguintes. Pagar quita a fatura, no todo ou em parte, e não soma outra vez as compras.
As compras entram digitadas ou importadas da fatura em OFX, CSV, Excel ou no PDF com texto selecionável que o banco envia. Nada se conecta ao banco nem ao cartão.
A fatura do mês que ainda não foi paga entra no comprometido do Início e reduz o seu saldo livre; o guia sobre o que é saldo livre explica essa conta. As parcelas dos meses seguintes aparecem à parte, como já contratado para os próximos meses. O caminho completo, da compra ao pagamento, está na página da fatura do cartão no MyGepeto.