Planilha ou aplicativo de controle financeiro: como escolher

Quem controla o dinheiro numa planilha ou num caderno já faz a parte mais difícil, que é o hábito de registrar. A escolha entre caderno, planilha, app do banco e aplicativo de controle financeiro depende do trabalho que cada um pede, do que faz com o cartão e de quem mais participa das contas. O melhor método é o que você mantém.

Atualizado em

O que as pesquisas mostram sobre o controle de gastos

Em janeiro de 2020, 48% dos consumidores ouvidos nas 27 capitais não controlavam o orçamento. Dos que controlavam, 36% usavam caderno, 9% planilha no computador e 7% aplicativo no celular, segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil de 2020.

Em janeiro de 2026, entre internautas que usam cartão de crédito nas capitais, 58% não faziam controle ativo dos gastos. Dos 42% que controlavam, 18% usavam caderno e 14% planilhas, e 28% dos que não controlavam só consultavam o app do banco, segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil publicada em abril de 2026.

Os públicos são diferentes, e os números não formam uma série. Mas, nas duas, caderno e planilha aparecem no dia a dia de quem controla.

O que cada jeito faz bem, e o que custa

Caderno

Está sempre à mão, não depende de internet, e escrever obriga a olhar cada gasto. Em troca, toda soma é feita à mão, o cartão vira uma conta refeita todo mês, e comparar meses exige voltar páginas.

Planilha

O controle é todo seu: você decide cada coluna, cada categoria e cada fórmula, não paga nada no Google Planilhas, e o arquivo é seu.

Em troca, tudo entra por você, linha por linha. Uma fórmula apagada sem querer, ou um intervalo que não pegou as linhas novas, muda o total sem avisar. O cartão é o mais difícil de modelar: uma linha por parcela, no mês da fatura certa, e o pagamento fora dos gastos. E, no celular, digitar é lento.

App do banco

Não dá trabalho: as compras já estão lá, e a fatura aparece pronta. O limite é que ele mostra só aquele banco: com conta num e cartão em outro, ninguém soma o mês inteiro. E ver o que saiu não diz se aquilo cabia no mês.

Aplicativo de controle financeiro

Junta contas e cartões de bancos diferentes e faz as contas que a planilha deixa para você: fatura, parcelas, total do mês. Em troca, você segue as regras dele, com menos liberdade que na planilha, e os dados ficam num serviço de outra empresa. E ele não registra por você: alguém importa o arquivo ou lança o gasto, e confere. O hábito continua sendo seu.

Lado a lado

CritérioCadernoPlanilhaApp do bancoAplicativo de controle
CustoO do cadernoZero no Google PlanilhasZeroVaria por app
Trabalho por mêsAnotar e somar à mãoLançar tudo e cuidar das fórmulasNenhum, mas ele só mostraImportar ou lançar, e conferir
Cartão e parcelasA conta é suaVocê modelaSó os cartões daquele bancoCostuma calcular; confira como
CelularPrecisa do caderno juntoLento para digitarBomCostuma ser bom
CompartilharDifícilO arquivo sim; a divisão é suaCada um vê o seu bancoDepende do app
PrivacidadeFica com vocêOnde você guarda o arquivoO banco já tem os dadosFica no serviço; leia a política
Sair levando os dadosÉ seuO arquivo é seuO extrato que o banco ofereceVeja se exporta e em que formato

O erro comum do cartão na planilha

Ao colar na planilha o extrato da conta e as compras da fatura, o pagamento da fatura vem junto no extrato. Se ele entra como gasto, cada compra do cartão conta duas vezes.

Exemplo. Os valores são inventados. A fatura do mês teve estas compras:

CompraCategoriaValor
MercadoMercadoR$ 512,60
FarmáciaSaúdeR$ 83,80
StreamingAssinaturasR$ 39,90
Sofá, parcela 3 de 10CasaR$ 189,90
JantarRestaurantesR$ 122,70

As cinco somam R$ 948,90, o total da fatura. O extrato da conta traz o aluguel e a luz, R$ 1.586,30 juntos, e o pagamento dessa fatura, de R$ 948,90 (para simplificar, é a fatura das compras acima).

LançamentoJeito erradoJeito certo
Aluguel e luzR$ 1.586,30R$ 1.586,30
Compras da faturaR$ 948,90R$ 948,90
Pagamento da faturaR$ 948,90 como gastoFora dos gastos: quita o cartão
Gasto do mêsR$ 3.484,10R$ 2.535,20

O mês do exemplo custou R$ 2.535,20, e os R$ 948,90 a mais são a fatura contada de novo. O sofá tem a mesma armadilha: o gasto deste mês é a parcela de R$ 189,90, e não a compra inteira de R$ 1.899,00. Veja como registrar a fatura do cartão.

Como escolher

  • Quantos bancos e cartões você usa. Com um banco só, o app dele mostra quase tudo; com mais, alguém precisa juntar os pedaços.
  • Quanto tempo você aceita dar por semana. Se digitar tudo é o que faz você parar, prefira o que reduz a digitação.
  • Se você parcela. Quanto mais parcelas abertas, mais a ferramenta precisa saber em que fatura cada uma cai.
  • Se divide gastos com alguém. A divisão precisa de um lugar que as duas pessoas vejam.
  • Privacidade. Veja onde os dados ficam e o que a ferramenta pede. Enviar um arquivo que você escolheu é diferente de dar acesso à sua conta.
  • Como sair. Veja se dá para levar os dados embora num formato que uma planilha abra.

O melhor método é o que você mantém. Uma planilha simples atualizada toda semana vale mais que um sistema completo abandonado no segundo mês.

Vale a pena trocar a planilha por um app?

Se a planilha funciona há meses, ela está funcionando. A troca vale quando mantê-la faz você pular semanas: a fatura que nunca bate, a parcela esquecida, o gasto da rua que fica para depois e se perde. Se você ainda não registra nada, o começo é o mesmo em qualquer ferramenta: um mês de registro real.

Se você vai ficar na planilha

Um modelo mínimo, para o Excel ou o Google Planilhas.

Abas: uma por mês (Outubro, Novembro), uma Categorias com a lista fixa e, se quiser, um Resumo.

Colunas da aba do mês:

  • A, Data: o dia da compra ou do pagamento.
  • B, Descrição: onde foi ou o que foi.
  • C, Categoria: escolhida da aba Categorias pela validação de dados (menu Dados), para que "Mercado" e "Mercado " (com um espaço no fim) não virem duas.
  • D, Tipo: Gasto, Receita, Fatura ou Transferência.
  • E, Valor: sempre positivo; o Tipo diz se entrou ou saiu.
  • F, Conta ou cartão: de onde saiu ou para onde foi.

A compra no cartão vai para a aba do mês da fatura em que caiu, e não do mês em que você paga. A parcelada vira uma linha por parcela, cada uma na aba da fatura dela.

Três fórmulas, numa coluna livre à direita, como a H:

  1. Gasto numa categoria: =SOMASES(E:E;C:C;"Mercado";D:D;"Gasto"). Soma a coluna E nas linhas de Mercado com o Tipo Gasto.
  2. Resultado do mês: =SOMASE(D:D;"Receita";E:E)-SOMASE(D:D;"Gasto";E:E). Fatura e transferência ficam fora das duas somas, de propósito.
  3. Conferência da fatura: =SOMASES(E:E;F:F;"Cartão";D:D;"Gasto"), com o nome do seu cartão no lugar de "Cartão". Tem de bater com o total da fatura. Se não bater, faltou uma compra, alguma entrou duas vezes ou há juros e tarifas fora da planilha.

O cuidado com fatura e transferência:

  • O pagamento da fatura é Fatura, nunca Gasto: os gastos já são as compras.
  • Transferência entre suas contas vira duas linhas Transferência, uma em cada conta. Aplicar num investimento também entra como Transferência: o dinheiro mudou de lugar e continua seu.
  • Ao colar o extrato, confira se o período não repete dias da colagem anterior, um jeito fácil de duplicar lançamento.

Como o MyGepeto faz

O método é o mesmo da planilha acima. A diferença é que as contas da fatura e das parcelas já vêm feitas.

  • O mesmo arquivo do banco. O extrato e a fatura que você colaria na planilha entram pela importação de extrato, em OFX, CSV ou Excel, e a fatura também no PDF com texto selecionável que o banco envia. Extrato de conta em PDF, foto e PDF escaneado não entram. Nada se conecta ao banco: você baixa o arquivo e importa.
  • Em linguagem natural. Você escreve o gasto como falaria para o Gepeto, ele propõe o lançamento e você confirma.
  • Fatura e parcelas. A fatura é organizada pelo mês das compras, e pagá-la, no total ou em parte, sai da conta sem contar como gasto. Na compra parcelada, de 2 a 60 parcelas, cada parcela cai na fatura do mês dela, em centavos exatos, e uma série já em andamento começa da parcela atual.
  • Saldo livre. O Início mostra o disponível menos o comprometido, que é o dinheiro que já tem destino no mês, como a fatura em aberto e as contas agendadas. A conta inteira está no guia sobre o que é saldo livre.
  • Categorias. Você cria as suas, com subcategorias e regra por estabelecimento. Na importação, a sugestão vem da regra, do seu histórico ou do consenso anônimo de outros usuários, e você confirma em lote. Veja como categorizar gastos.
  • Para quem divide gastos. A Divisão registra quem pagou cada gasto, calcula o saldo de cada pessoa e registra o acerto, sem que nenhum dinheiro passe pelo MyGepeto. O Ambiente Compartilhado reúne casa, casal ou família num espaço comum, e as movimentações de cada um continuam pessoais (finanças compartilhadas).
  • Celular e privacidade. Funciona no navegador do celular e pode ser instalado como app, com conexão para ver os dados. "Ocultar valores na tela" esconde os números naquele aparelho. O que é guardado e como a IA trata o que você escreve estão na Política de Privacidade e na política de IA.
  • Voltar à planilha. O relatório do mês sai em CSV, que abre no Excel, e em Conta a exportação completa gera um arquivo com a conta inteira. Dá para voltar à planilha quando quiser.

A planilha antiga não precisa vir junto: ela continua sendo o seu histórico, e o novo controle começa pelo mês atual.

Veja isso funcionando numa conta de exemplo.

A demonstração abre uma conta pronta, só para leitura. Você escolhe o perfil mais parecido com o seu.